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Urucurituba: do cacau ao folclore, uma terra rica em natureza e história

Urucurituba: do cacau ao folclore, uma terra rica em natureza e história

Banhada pelas águas do rio Amazonas, terra dos índios Munducurus e Maués, nosso destino de hoje é Urucurituba. Localizada a 208 quilômetros de Manaus (AM), tem sua economia baseada na agricultura e na pesca artesanal. Originário do tupi uricuri, seu nome faz alusão à espécie de palmeira abundante na época de sua fundação.  

Sua história começa junto com a do Estado do Amazonas, ainda no século XVII, após a expedição de Pedro Teixeira, de Belém do Pará à Quito, capital do Equador. Próximos à fronteira com o Pará, na margem esquerda do rio Amazonas, surgem então, os vilarejos que dariam origem às maiores cidades da região: Silves, Itacoatiara e Urucá. Do outro lado do rio, do desmembramento de Urucará e Silves, nasce Urucurituba.

Sua fundação foi oficializada em 1976 e a construção do município, marcada pela solidariedade e companheirismo de um povo que buscava progresso.  A edificação da cidade contou com um mutirão, que na época reuniu mais de 400 homens.

Terra de gente hospitaleira e amiga da natureza, foi onde Maiza Libório Farias fincou raízes. “Nasci e me criei em Urucurituba. Precisei me mudar para Manaus, onde fiquei por nove anos. Mas a saudade era grande demais e na primeira oportunidade que tive, voltei para casa”. Proprietária do Comercial M.E, ela conta que ingressou na vida de comerciante faz pouco tempo e que tem aproveitado os aprendizados que o setor tem oferecido. “Em meu comércio vendo de tudo um pouco, frios, perfumaria, produtos higiênicos, calçados, entre outros. Estou nessa área têm dois anos, resolvi abrir o negócio porque vi que tinha espaço e demanda na região”.

Cliente RedeFlex, Maíza incrementou o faturamento da empresa com a adesão da maquininha de recargas para celular. “É um serviço necessário e de vários benefícios, todo mundo utiliza o celular”, declara a empreendedora, satisfeita com a evolução dos negócios.

Terra de riquezas – Considerada uma das maiores produtoras de cacau do médio norte do Amazonas, Urucurituba tem reservada em seu calendário uma data especial para homenagear o símbolo da cidade. A atividade que coloca o município em 4º lugar no ranking de maiores produtores da fruta no Estado, conta com uma produção de  quase 120 toneladas por ano e no dia 1º de maio de todo ano acontece a festa tradicional do cacau.

Além da tradicional Festa do Cacau, o município também realiza outro grande evento, o Festival Folclórico, que é conhecido pela disputa entre quadrilhas. No festival também ocorre a disputa dos bumbás Estrela Azul e Touro Branco.

Gigante de água doce – Popularmente conhecida como “Princesinha do Médio Solimões”, Urucurituba também tem nas águas do rio Amazonas um dos seus grandes orgulhos. Nacionalmente conhecida pelo manejo sustentável do Pirarucu, um dos maiores peixes de água doce do mundo, atua fortemente na exportação do pescado, uma de suas maiores fontes de renda.

O porto hidroviário, considerado um dos melhores do Amazonas, além de fazer o transporte de cargas, também é um meio de locomoção para a população que depende do transporte fluvial. Resguardando sua cultura, os sítios arqueológicos presentes na região preservam a história e, em forma de santuário, mantêm vivos os registros das civilizações que habitaram o município na antiguidade.

Cultura Urucuritubense e a lenda da “Cobra Grande da Cabeça de boi”

Lembra da pequena empreendedora Maísa Libório? A história dela  está entrelaçadacom a da cultura urucuritubense, presente no imaginário dos moradores locais. “Minha mãe me contava as histórias de meu avô Jânio quando eu era criança. A gente já cresce sabendo da lenda da cobra grande da cabeça de boi”.

Reza a lenda que um morador chamado Jânio Libório, morador do Tabocal local, onde hoje é a nova sede da cidade, saiu de sua casa para cortar madeira para fazer uma armação de uma casa de farinha. Depois de ter andado um bom pedaço mata adentro e ter tirado quase toda a madeira, parou para descansar. Tomou água e comeu banana com chibé (espécie de mingau feito à base de farinha de mandioca). Enquanto descansava, ouviu o canto de alguns pássaros, como se estivessem assustados. Em seguida, a mata escureceu devido a formação de um temporal e o vento começou a soprar forte sobre as árvores. Nesse instante, ele ouviu um barulho estranho, como o urro de um animal desconhecido.

Com muito cuidado – e medo – ele foi se aproximando da mata, se escondendo por entre as árvores, em busca de uma visão melhor da fera. Então, logo percebeu que ela tinha chifres como a de um boi e o corpo de uma cobra. Temendo ser visto pelo animal, resolveu sair de fininho, sem fazer barulho. Ao chegar em casa, contou para a esposa o fato e então denominou o lugar de “Cabeça de Boi”, como é conhecido até hoje pela população da cidade.

Atualmente sua margem está habitada por moradores e fica situado no centro do município. A lenda deu origem à música “Reino Encantado” do compositor Jorge Magno, com arranjo de Pedro Marques, que conta a história da lenda exaltando os contos populares.

Confira a letra logo abaixo:

“REINO ENCANTADO”.

Quando cheguei aqui nesta terra

Me encantei com a floresta

E resolvi ficar

Encontrei o seu Jânio Libório

Que uma história passou a me contar

Que um dia andando na mata

Ouviu um barulho

Não soube onde foi

Ao descer na beira de um aningal

Viu uma cobra, que tinha cabeça de boi

Buya-açu há, há, há.

Buya-açu boi, boi

Tapi-ira akanga

E a cobra grande, cabeça de boi

Esse é uma das nossas histórias

De um povo antigo aqui deste lugar

Que existe um reino encantado

Que neste folclore queremos mostrar

Mostra agora teu reino encantado

Para o nosso povo poder acreditar

Ela veio atender um pedido

Dessa grande galera do meu boi bumbá

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