fbpx

Tucuruí se desenvolveu em torno da usina. O casal Francisco e Francisca também

Tucuruí se desenvolveu em torno da usina. O casal Francisco e Francisca também

A 450 quilômetros de Belém, o município de Tucuruí é mundialmente conhecido por abrigar uma das maiores usinas hidrelétricas do planeta. Construída entre 1974 e 1986, a obra só perdeu o posto de maior usina cem por cento brasileira com a inauguração de Belo Monte.

Na época, a obra atraiu milhares de trabalhadores de todos os estados, sobretudo do Nordeste. Entre esses milhares, um pernambucano e uma potiguar, que haviam se casado há poucos meses em Altamira.

“Meu marido veio trabalhar na construção da usina e eu vim com ele. Nós tínhamos casado há três meses”, conta Dona Francisca de Oliveira, de 62 anos, a comerciante que viu a cidade se transformar ao longo dessas décadas.

“Quando nós chegamos aqui, em 1981, só tinha uma agência bancária e a delegacia de alvenaria, o resto era tudo de madeira e palafitas, até a igreja era de palha”, conta. Nesta mesma época eles abriram uma vendinha. Compravam principalmente ovos, frutas e verduras em Belém para revender em Tucuruí. Na época, essa viagem só era possível de barco.

O comércio foi crescendo e, há 21 anos, o casal Francisco e Francisca Oliveira possui o Mercadinho Beira-Rio, no terminal pesqueiro do município, cuja clientela é formada praticamente só de pescadores. “Durante a piracema, o comércio fecha porque não temos para quem vender”, explica. 

Mas, durante os outros oito meses do ano, os pescadores são assíduos. Mais do que produtos de alimentação, higiene e limpeza, itens tradicionais de mercados grandes ou pequenos, o Beira-Rio também tem tudo para pesca. Chumbada, anzol, tinta e lubrificantes para barcos, gelo, muito gelo, e recargas de celular pelas maquininhas Redeflex.

“Os pescadores ficam no rio Tocantins durante quatro dias, que é o tempo que dura o gelo que eles compram com a gente. Depois eles retornam para vender os peixes aqui e nas comunidades e cidades vizinhas”, explica dona Francisca. 

O peixe mais apreciado é o tucunaré, prato típico da região. Também conhecido como bicudo, pode alcançar um metro de comprimento. Tradicionalmente e é temperado com limão, cebola, tomate, pimenta de cheiro e assado em saco plástico.

Desbravadores de Tucuruí e com clientela constante, o casal Oliveira criou os quatro filhos e possui quatro netos. Os dois filhos homens são autônomos. Uma das filhas é formada em Administração e mora em Altamira e a outra é bancária em Belém. 

Há alguns anos a família realizou uma viagem pelo Nordeste, passando pelo Ceará, Pernambuco e na Ilha de Fernando de Noronha. “Ficamos uma semana na ilha, foi a realização de meu sonho desde menina”, se emociona dona Francisca.

Com a mesma disposição e sorriso no rosto, o casal segue todos os protocolos de segurança para atender os clientes. “Só entra no mercadinho de máscara, não adianta insistir”, avisa. E é de máscara e respeitando o distanciamento social que Antônio, representante da Redeflex, atende o casal. “Sempre que a gente precisa somos atendidos com alegria e carinho”, garante Francisco, marido de dona Francisca.

Mais do que uma usina

O lago e as eclusas da usina são atrações turísticas que valem a pena serem conhecidas. Se por um lado, no lago é possível fazer passeios de barco e ver um dos pôr do sol mais bonitos da região, as duas eclusas são obras de engenharia com 210 metros de comprimento, 33 metros de largura e 5 metros de calado. 

Da Estrada de Ferro Tocantins, construída no início do século passado durante o ciclo áureo da castanha-do-Pará e inundada em 1973 para dar lugar a usina, a Locomotiva Belém é um importante registro histórico. Está preservada em frente ao Centro Cultural da Vila Permanente.

Posts Relacionados
Comentar

Your email address will not be published.Required fields are marked *